Minha Incrível viagem à Índia e mais alguns países em 40 dias

Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Demorei para fazer o relato por falta mesmo de tempo, mas aí está. Espero que as informações ajudem bastante para quem tomar coragem e conhecer esse país que é coisa de outro mundo.

Em Abril desse ano decidi fazer minha viagem à Índia, seriam 12 vôos em 30 dias. Poderia  ter colocado esse relato na parte de Viagens volta ao Mundo, mas estou colocando por aqui mesmo porque estarei enfatizando mais a Índia.

Por sorte consegui algumas escalas em lugares que eu queria visitar mesmo que por pouco tempo, e que valeram muito a pena!

Dia 02 de Abril embarquei no aeroporto de Brasília para Lisboa com escala em Fortaleza de 10 horas, cheguei em Fortaleza ao meio dia, e como o meu vôo era somente às vinte e três e pouco da noite, liguei para meu primo que mora lá e fomos a praia curtir até o fim da tarde.

Praia do Futuro em Fortaleza

Na verdade, meu vôo tinha como destino final Zurique na Suíça, com escala em Lisboa de 8 horas, então planejei o que eu poderia fazer em Lisboa durante esse período. Embarquei as 23 da noite no aeroporto de Fortaleza e cheguei em Lisboa às 10 e pouco da manhã. O Aeroporto de Lisboa possui uma estação de metrô que liga à vários pontos da cidade. Comprei o cartão recarregável chamado de viva viagem (0,50€) e recarreguei com ticket 24h (6,15€) e com isso poderia usar o metro, ônibus e ferry quantas vezes eu precisasse naquele dia. Da estação do aeroporto, minha primeira parada foi na estação Oriente. Fui de pé até o Oceanário de Lisboa: O maior da Europa e um dos maiores do mundo. Uma dica muito importante: Compre o seu ticket pela internet! A fila para a bilheteria é muito grande! Eu comprei o meu pela internet pelo mesmo valor da bilheteria e não peguei fila, isso me economizou um tempo muito precioso.

Oceanário de Lisboa

Oceanário de Lisboa: Valeu a pena cada segundo. É surpreendente. Foi uma chance incrível de ter contato de pertinho com animais de todos os mares como: Tubarões, Arraias, Corais e até Pinguins.

Saindo do Oceanário, voltei para a estação Oriente e fui até o Baixo – Chiado. Após descer na estação eu percebi que para ir até a Torre de Belém seria muito longe a pé, então peguei um ônibus até o Padrão dos Descobrimentos, e de lá fui até a Torre de Belém.

Padrão dos Descobrimentos – Lisboa
Torre de Belém em Lisboa

Da Torre de Belém, voltei para o Baixo – Chiado e peguei o metrô de volta para o Aeroporto. Às 18:30, embarquei para a Suíça. Chegando no Aeroporto de Kloten (Zurich), uma pessoa que considero como um pai, estava me aguardando no desembarque. Gostaria de dedicar um espaço para falar dessa pessoa: Seu Nome é Kurt Nufer: Um jovem senhor que carrega na bagagem experiências incríveis. Quando mais jovem lutou na Segunda Guerra, e recentemente já encarou algumas aventuras de barco atravessando oceanos. Partindo do Mediterrâneo já foi até a Polinésia. Já fugiu de Piratas na costa da Tanzânia e Somália, e já ancorou sua embarcação em lindas praias no Caribe. Conheci Kurt em 2012. Ele me ensinou Inglês e Alemão quando tive a oportunidade de morar e estudar na Suíça, no mesmo ano através convite de sua família, e encaramos algumas aventuras pela Ásia onde pude aprender muito com ele.

De volta à história.. Enfim eu tinha apenas 1 semana em Zurique antes de viajar para a Índia, e eu gostaria de aproveitar muito com meus amigos. Compramos Bilhetes de trem para Ticino – Cantão localizado na parte italiana da Suíça. O dia estava lindo e sem nuvens, o que é raro na Suíça, e de longe foi possível avistar os Alpes.

Estação de trem em Ticino com Kurt
Castelos de Bellinzona – Ticino

No fim do dia Voltamos para Zurique e no dia seguinte resolvi descansar e estudar meu itinerário da trip pela Índia que aconteceria na semana seguinte (segunda-feira).

Na quinta feira, fomos até os Alpes, e fizemos um incrível churrasco na casa de montanha do Kurt. O clima estava engraçado, tinha neve mas estava fazendo muito calor e frio ao mesmo tempo, difícil descrever aquela sensação.

Churrasco na montanha com essa vista

A semana foi passando e já era sábado. Minha viagem à Índia começaria na segunda. Comprei bilhetes de trem para visitar o Cantão Schwyz, e passamos por Einsiedeln. O dia mais uma vez estava incrível com poucas nuvens, mas bem mais frio.

No Domingo preparei minha mochila para encarar a viagem à Índia: Passaporte, Visto e Bilhetes de trem.

Para tirar o visto indiano é muito simples: no site da embaixada tem o procedimento passo a passo de enviar a documentação online, pagamento da taxa se eu não me engano em torno de 50USD. O visto fica pronto para imprimir em até 72hrs após o pagamento.

Uma dica muito importante que preciso falar é sobre bilhetes de trem. A Índia possui o maior sistema ferroviário do mundo, mas com uma população de 1,3 bilhão de habitantes, esse sistema acaba ficando muito pequeno.  As passagens de trem vão se esgotando semanas antes da viagem. Então para evitar imprevistos, a melhor forma é comprar pela internet, mas não é tão simples assim. Os indianos tratam a burocracia como uma coisa sagrada. Para comprar tickets de trem no site do governo (IRCTC), a pessoa precisa ter um número de telefone indiano para confirmação do código OTP e o cartão de crédito utilizado na compra precisa ser da American Express emitido na Inglaterra ou Austrália. Mas é possível comprar os bilhetes de trem em um site chamado clear trip, bem mais fácil e simples, aceita os outros cartões de crédito, mas o problema é que do mesmo jeito precisa do número indiano e do cadastro no site do governo. Com isso, o que você precisa fazer é o seguinte: cadastre-se no site do governo e na etapa quando se pede o código OTP, apenas mande um email para: care@irctc.co.in  informando seu ID dizendo em inglês mesmo que você é um viajante brasileiro que precisa do código OTP para comprar os bilhetes. Após receber uma resposta que pode demorar até 30 dias (o meu demorou 40), cadastre-se no clear trip e compre por lá suas passagens.

Com tudo pronto para começar a trip, fui para o aeroporto de Kloten em Zurich. Meu vôo tinha como destino final Nova Delhi na Índia com escala em Frankfurt na Alemanha de 3 horas pela Companhia Lufthansa, que aliás possui um excelente serviço.

Aeroporto de Frankfurt

Finalmente após longas 8 horas de vôo da Alemanha até Índia, cheguei no Aeroporto de Delhi às 23 horas. No momento em que saí do aeroporto, senti naquele exato momento, mesmo que de noite, o tal do choque cultural em que todo mundo sofre quando tem o primeiro contato com a Índia. Minha vontade era de voltar para o aeroporto e adiantar minha passagem de tamanho susto que levei naquele exato momento, mas mesmo que quisesse de verdade, não seria possível. Na Índia funciona assim: a partir do momento em que você sai de qualquer aeroporto, você não pode mais entrar de volta, a menos que tenha uma passagem nova para um outro embarque. Tal fato deve-se pelo rígido controle de segurança que os indianos têm, por causa dos seus vizinhos hostis (Paquistão, Afeganistão…). Se eu não me engano depois dos ataques terroristas em Mumbai no ano de 2008, a Índia nunca mais foi a mesma, segundo um indiano que conheci no hotel em Delhi. Voltando ao meu susto quando sai do aeroporto… Consegui negociar um taxi e fui para o hotel.

 

NOVA DELI

Uma dica muito boa onde se hospedar em Delhi sem dúvida é na região chamada Connaught Place. É uma área turística muito estratégica da cidade, tem bares, restaurantes, casas de câmbio e o principal que é a estação do metrô.

Para se locomover em Delhi, uma boa saída sem dúvida é o metrô. É muito moderno e limpo, e isso foi surpreendente, porque eu esperava algo bem mais primitivo. Com o metrô é possível chegar a todos os pontos turísticos de Nova Delhi. Se preferir optar por rickshaw (tuktuk), também é possível, mas se prepare para passar um pouco de raiva e estresse para negociar, pois 80% dos motoristas vão querer te passar a perna.

Acordei às 5:30 no meu primeiro dia na Índia, pois sabia que eu só teria aquele dia para conhecer a caótica Deli. Tomei meu café da manhã no hotel e sai às 6h. Do hotel parti rumo à estação de Connaught Place para pegar o metrô direção ao meu primeiro objetivo que era o Qutab Minar, um lugar incrível onde possui ruínas, outras construções muito antigas e o maior mirante de tijolos do mundo.

Ruínas de Quatb Minar

Voltei para a estação de Quatb Minar e peguei o metrô para Chawri Bazaar, para conhecer  Jama Masjid: A maior mesquita islâmica da Índia. Quando cheguei lá, no momento em que saí da estação e vi a rua, logo pensei: “Isso aqui é o inferno na Terra!”. Nunca vi tanta gente na vida! A rua estava em um completo caos. Tuk tuks disputavam espaço com cachorros e vacas junto a comerciantes que negociavam com clientes no meio da rua mesmo. Filas de comida que as pessoas faziam e usavam jornal como prato. Isso mesmo que você acabou de ler.

Me vi totalmente perdido naquele exato momento e não sabia para que lado estava a mesquita e se estava longe ou perto dali. Perguntei para um motorista de tuk tuk onde ficava o Jama Masjid, então ele me falou que ficava muito longe de onde nós estávamos, e que por 200 rupias ele me levava lá. Então eu aceitei sua proposta, mas descobri que a mesquita ficava perto dali, porque a corrida não durou 2 minutos! Quando o paguei, disse a ele que ele que tinha me enganado e ele começou a fingir que não falava inglês e que não estava entendendo nada.

Fiquei muito bravo porque 200 rúpias realmente não valem muita coisa, mas foi pelo fato de ter me feito de trouxa. Em média corridas longas dentro da cidade não passam de 150 rúpias e olha que eu estou falando de táxi.

Chawri Bazaar – “O Inferno na Terra”. Sob a ótica de um mentiroso

Sem delongas entrei no famoso Jama Masjid – A maior Mesquita da Índia, pois é, a Índia não é apenas hindu, grande parte do país também é mulçumano e que come carne de vaca, acredite se quiser.

Jama Masjid – A maior Mesquita da Índia

Depois de sair da estação de Chawri Bazaar, fui procurar um lugar para almoçar e descansar um pouco, o calor estava insuportável, e para completar não encontrava em nenhum lugar água gelada para comprar, eles só tinham água em temperatura ambiente.  Para minha surpresa encontrei um Subway e almocei sanduíche mesmo, por sinal vegetariano. Particularmente eu gostei da comida indiana que experimentei, como por exemplo o “chicken curry e fried rice”, mas eu tinha muito receio porque havia um risco grande de pegar alguma infecção alimentar e isso arruinaria minha jornada, então precisava ser muito cuidadoso nesse quesito.

Após meu modesto almoço peguei o metrô para a estação de Pragati Maidan com o objetivo de chegar ao portão da Índia. Depois de sair da estação, havia descoberto que entre Pragati Maidan e o Portão da Índia seriam 50 minutos andando embaixo de um sol que estava muito intenso naquele momento do dia, por outro lado eu não queria pegar um tuk tuk por que eu estava muito bravo devido à aquele episódio em Jama Masjid. Então coloquei meu boné e fui andando mesmo. Durante o caminho muitos motoristas de taxis e de tuk tuk paravam insistindo em me levar, mas eu estava decidido a continuar por minha conta. Depois de severos minutos andando, um motorista de tuk tuk me parou como os outros fizeram e me perguntou para onde eu estava indo, eu disse a ele apenas que eu não precisava do serviço, mas ele ficou insistindo, logo perdi a paciência e respondi dizendo que eu estava indo ao Portão da Índia e que não tinha dinheiro para tuk tuk (lógico que eu tinha rss) e ele me disse uma coisa que eu nunca vou esquecer:

– Não tem problema, eu te levo lá do mesmo jeito, você está no meu país, logo é meu convidado e precisa ser tratado da melhor maneira possível.

Aquilo que o motorista tinha acabo de me dizer me deixou perplexo, e me fez entender um pouco o porquê a Índia é tão incrível, parte disso é devido ao seu povo.

Aceitei a carona do gentil motorista e cheguei finalmente ao portão da Índia. O monumento é realmente majestoso, e me fez refletir no que eu esperava, no que estava ainda por vir, e que o portão representava para mim simbolicamente naquele momento uma boa vinda – Aproveite a sua aventura!

Portão da Índia – “Pedindo permissão para entrar na Terra do Apu”

Já era fim de tarde e estava escurecendo, peguei um taxi e voltei para Connaught Place onde ficava meu hotel. Eu realmente estava destruído e cansado, mas no bom sentido, me senti realizado, pois minhas metas tinham sido alcançadas.

Tomei um banho merecido, por sorte tinha um Pizza Hut perto do hotel e jantei por lá, voltei para o quarto, arrumei minhas coisas e fui dormir, porque no dia seguinte eu tinha um trem às 7 da manhã com destino Agra: A cidade do Taj Mahal.

Acordei às 5:30, peguei minhas coisas, fiz o checkout no hotel e chamei um taxi. Gostaria de ressaltar uma coisa muito importante que é vital para se viajar na Índia: Tenha internet no seu celular, isso vai te salvar como me salvou. Quando cheguei na Índia pelo aeroporto de Delhi, a primeira coisa que fiz foi comprar um chip 3G, porque eu sabia que seria muito importante por diversos motivos que vocês irão descobrir logo mais.

Cheguei a estação de Nizzamudin para pegar o trem que ia para Agra. Como já tinha mencionado no começo, meus bilhetes de trem já tinham sido comprados antes de viajar, lá no Brasil, mas o que não mencionei era sobre as classes dos trens indianos, então vamos lá:

Existem se eu não me engano 6 classes nos trens indianos: As 3 primeiras são no ar condicionado “AC Class” onde viajam turistas, backpackers e indianos mais ricos, a quarta classe é a Sleeper Class e as duas últimas eu chamo de “inferno”. Sabe aquelas fotografias que a gente vê no google dos trens indianos superlotados com pessoas penduradas pelas portas, janelas e teto? Então, isso se resume as últimas classes do trem, que obviamente são sem ar condicionado.

Para trens noturnos de longa duração as classes têm no final o nome Tier, que significa as camas do beliche do vagão para dormir. Minha recomendação é que compre os bilhetes para as 3 primeiras classes e escolha sempre a cama superior na lateral, porque elas proporcionam uma maior privacidade, que é uma coisa que não existe muito na Índia, mas dá para entender, afinal de contas são mais de 1 bilhão de habitantes não é mesmo?

(Para entender melhor como funcionam as classes dos trens, acesse o clear trip)

Quando cheguei na estação de trem de Nizzamudin, logo me deparei como uma desordem total, caos, muita gente, bagunça e bastante sujeira. É meio que impossível saber qual a plataforma para pegar o respectivo trem, e qual vagão entrar, é nessa hora que o 3G vai te salvar. Com o app IndianRailway IRCTC , é possível descobrir se o trem vai chegar atrasado, qual a plataforma pegar, onde exatamente você tem que esperar para entrar no seu vagão, status da passagem e muito mais. As estações de trem na Índia são muito confusas, não há informações, com o aplicativo as coisas ficam bem mais fáceis.

Meu trem para Agra tinha acabado de chegar, eu comprei passagem para a segunda classe AC, não lembro exatamente quanto paguei, apenas lembro que foi muito barato. O atendimento a bordo foi muito bom, serviram almoço, lanche e até sobremesa para uma viagem de apenas 3 horas, Otra coisa que quero destacar é que os trens na Índia são muito velozes, gerando assim vários acidentes que resultam em morte como colisões e descarrilamentos.

Omelete com arroz frito e purê de batatas

Uma outra coisa muito importante que precisa ser dita é que o trem não avisa que está chegando ao destino, e há o risco de você acabar perdendo a sua parada, pois o trem continua a viagem dele pela Índia, e perguntar no trem para outras pessoas não vai ajudar muito porque se for um trem noturno as pessoas podem estar dormindo no momento em que precisar descer. Se orientar pelo horário de chegada do bilhete também não vai ajudar porque os trens na Índia não atrasam 5, 10 ou 15 minutos, os atrasos são em horas e isso é normal por lá. A solução é mais uma vez usar o 3G com o google maps para acompanhar se a estação está se aproximando.

 

AGRA

Agra: A cidade do Taj Mahal. Cheguei às 09:50 am na estação de Agra Cantt no trem que vinha de Delhi.  Peguei um tuk tuk direto para o hotel, precisava tomar um banho e almoçar. Uma dica importante e valiosa que preciso dar é que toda vez que chegar a uma cidade nova na Índia, fale para o motorista de tuk tuk que já tem hotel reservado e pago, porque eles ficam insistindo em te levar nos hotéis que eles querem, pois eles ganham comissão, obviamente você pagará mais caro a diária do hotel recomendado pelo tuk tuk. No meu caso não tive problema com isso porque por coincidência, em toda cidade que eu chegava, eu já tinha hotel reservado com um dia de antecedência pelo site do agoda.com, de que tal maneira me economizava dor de cabeça, dinheiro e principalmente tempo.

Para minha sorte, uma grata surpresa: Havia descoberto que o hotel era muito próximo ao Taj Mahal, e que uma caminhada de 10 minutos era suficiente para se chegar em um dos portões do Taj.

Conversando com um motorista de tuk tuk, ele me recomendou que eu visitasse o Taj Mahal no dia seguinte às 5 da manhã, porque poderia ter uma vista lá, do nascer do sol que é incrível e que teria menos turistas para poder disputar um espaço. Com essas informações, combinei com o tuk tuk de me levar naquele dia até o Agra Fort e passar o final de tarde no Mehtab Bagh.

Quando cheguei ao Agra Fort, o portão me impressionou muito, parecia outro mundo, algo fora de realidade. Pelo que lembro da história do Agra Fort, sei que foi usado muito tempo para proteger a cidade de invasões contra o império Mogol, e que foi onde os filhos do príncipe Shah Jahan o trancaram em uma cela para ver os seus últimos dias através de uma janela, o mausoléu que ele mesmo mandou construir para guardar o corpo da sua princesa mais conhecido como o Taj Mahal. O Agra Fort é um forte muito grande, possui imensos jardins muito bemcuidados, templos de mármore, e do alto é possível ver toda a cidade e inclusive o próprio Taj Mahal.

Após uma longa visita conhecendo cada pedaço do forte, fomos direto para o Mehtab Bagh. Durante a corrida de Tuk Tuk pude perceber que Agra é uma cidade muito suja e caótica, em outras palavras a cidade é horrível, tem muito lixo na rua, os carros deixam escapar muita fumaça, há muitos moradores de rua…Recebi conselhos no hotel para tomar muito cuidado que a região era muito violenta, a poluição é uma coisa absurda ali, pois é, tem coisas que vi em Agra que realmente gostaria de esquecer.

Enfim cheguei de tuk tuk ao Mehtab Bagh. O Mehtab Bagh é um jardim que fica ao lado oposto do rio de onde está o Taj Mahal. O jardim não possui nada de diferente, mas é limpo e bem cuidado, o seu grande charme claro é sem dúvida a vista do Taj Mahal e ainda no pôr do sol que foi uma coisa de tirar o fôlego.

No Mehtab Bagh, aguardando o pôr do sol.

Após apreciar cada segundo aquele momento no Mehtab Bagh, peguei o Tuk tuk de volta para o hotel, fui tomar banho e jantar ali perto mesmo, não queria me arriscar andando sozinho por Agra, ainda mais à noite. Naquele dia dormi cedo, pois no dia seguinte eu tinha abraçado a missão de chegar às 5 da manhã no Taj Mahal para o nascer do sol.

O despertador do meu celular tocou às 4:40 da madrugada, me arrumei, sai do quarto e fui andando até o Taj Mahal. Apesar de curto, o caminho do hotel para o Taj Mahal, me deixou assustado, era preciso ficar alerta para os macacos não roubarem meus bolsos. Tinha de tudo pelo caminho: porcos, cachorros, macacos, vendedores ambulantes, tuk tuks e lixo, mas muito lixo. Enfim cheguei em um dos gigantescos portões para entrar no Taj Mahal. Não tinha fila ainda, pois estava muito cedo, o controle de segurança da entrada é muito rigoroso, não é permitido entrar com mochilas, bolsas, tripés, pau de selfie, apenas câmera fotográfica. Ao passar pela entrada dei de cara com aquele monumento, realmente era tudo aquilo que já imaginava. É muito engraçado perceber a contradição da limpa área, rica do Taj Mahal, com a suja e caótica cidade de Agra.

Uma sensação indescritível ao ficar de frente com famoso Taj Mahal

Uma dica muito importante que posso falar é o seguinte: Se um dia desejar visitar e conhecer o Taj Mahal, NUNCA escolha uma sexta-feira, porque apesar do Taj Mahal fazer parte da história da Índia, do império Mogol, não deixa de ser uma mesquita, pois é islâmica, então todas as sextas-feiras, o espaço é fechado e reservado pelos mulçumanos para orações, mas em contrapartida em dias de lua cheia o espaço é aberto de noite para se deslumbrar a vista do Taj Mahal junto à Lua.

No link abaixo é o site do governo indiano que mostra os dias em que o Taj Mahal fica aberto em noite de lua Cheia com uma tabela até 2020.  https://www.tajmahal.gov.in/nightview.html

Não tendo a sorte de ficar em Agra em noite de Lua Cheia, parti no mesmo dia rumo à estação de trem de Agra Fort, que fica ao lado do Red Fort no qual tinha explorado no dia anterior.

Cheguei na estação de trem de Agra Fort 2 horas antes da partida, pois eu tinha que me certificar onde seria a plataforma do meu trem, qual vagão eu teria que entrar e também naquela noite seria a minha primeira viagem de trem noturno pela Índia. Lembra quando mencionei a importância de ter internet no celular quando se viaja pela Índia?? Então.. é agora que a sua vida vai depender da internet 3G kkk. A maioria das estações de trem da Índia não possui estrutura para informar aos passageiros, onde pegar o trem, qual plataforma ficar, saber qual composição do trem entrar, é muito confuso, e as estações e plataformas são bastante precárias, MAS existe um lindo app para smartphone chamado IndianRailway IRCTC  que informa onde o seu trem vai chegar, se o seu trem está atrasado ou não (é uma coisa muito comum na Índia: Trens atrasam por lá em horas). Pelo app é possível checar o status do bilhete e várias outras utilidades, apenas precisa de 3G para funcionar.

Consegui localizar minha plataforma e fiquei esperando ali por alguns minutos. Uma coisa interessante que é possível observar quando se está na estação de trem é que você acaba se chocando muito com a realidade assustadora do povo indiano: crianças muito pequenas sozinhas pedindo esmola, mulheres idosas limpando os trilhos em condições sub-humanas e como sempre muito lixo. Realmente é uma verdadeira luta diária pela sobrevivência.

Atrás de onde eu estava esperando o trem chegar, havia uma espécie de posto policial da estação, resolvi entrar e perguntar apenas para checar se eu estava no lugar certo para aguardar pelo meu trem. Um dos policiais pegou o meu bilhete, verificou e disse que eu estava no lugar certo, eles me perguntaram de onde eu era e ficaram bastante felizes e surpresos quando souberam que eu era do Brasil. Os policiais me convidaram para tomar um Masala Chai (espécie de chá) na mesa com eles enquanto meu trem não chegava. Foi um momento muito inusitado, cada um pediu para tirar foto comigo, bastante engraçado! Enquanto tomava chá, um dos policiais estava me dizendo algumas informações que considero de extrema importância compartilhar. A Índia é um país com quase 1,35 bilhão, 205 milhões apenas em Uttah Pradesh (Estado indiano onde fica Agra, Varanasi…). Se imaginarmos que Uttah Pradesh fosse um país, seria o quinto mais populoso do mundo. O policial continuou dizendo que Agra é a cidade mais perigosa e violenta da Índia, com inúmeros casos de estupro por semana por exemplo. Por fim, faltava alguns minutos para o meu trem chegar, me despedi do “amigos” policiais e fui para aonde eu estava esperando anteriormente.

Meu trem estava chegando, atrasado quase 30min, eu estava tentando localizar minha composição enquanto os vagões passavam por mim. Após localizar, entrei na composição e me acomodei na minha cama. A classe que fiquei foi a AC3 TIER, achei consideravelmente confortável e seguro. Quando comprar o bilhete de trem, eu recomendo optar pelas camas superiores laterais do vagão (TIER UPPER SIDE) são mais confortáveis e proporcionam mais privacidade. Outra coisa muito importante é que leve uma corrente com cadeado para prender a mochila, há registros de furtos durante a viagem, se até os indianos estavam prendendo a suas malas e pertences, isso significa que se deve fazer o mesmo.

A viagem de trem noturna duraria apenas 4 horas com chegada prevista às 02:15am, destino final: Jaipur: a cidade rosa do Rajastão.

Cama superior lateral do vagão na classe AC3 TIER

 

JAIPUR

Durante a viagem de trem para Jaipur, eu procurava descansar um pouco, mas sempre verificando no google maps do celular, se o trem estava chegando, isso porque o trem não avisa que está chegando na estação onde vai parar, e também não é possível saber se a estação que o trem parou é exatamente a que você tem que descer. Se guiar pelo horário de chegada até que pode ajudar, mas como já disse antes, os trens na Índia atrasam, quando um trem atrasa acaba atrasando outro trem se transformando em um grande efeito cascata. Eu poderia até perguntar qual a estação descer, mas como se trata de um trem noturno, as pessoas estão dormindo, então ficaria complicado essa opção. Então ciente das dificuldades só há duas alternativas para não correr o risco de passar da parada: ficar olhando sempre pela janela e torcendo para haver alguma placa com o nome da estação, ou ficar no conforto do 3G usando google maps. A estação de Jaipur era apenas uma parada e não destino final do trem.

O relógio marcava uma hora e meia da madrugada, faltava apenas 50min para chegar em Jaipur. Naquele momento cometi a infelicidade de adormecer nos minutos finais. Quando acordei, percebi que o trem estava parado. Fui verificar no google aonde eu estava, mas o celular se encontrava sem sinal de internet, levantei da cama e olhei pela janela e vi uma placa dizendo: Jaipur (JP). Era exatamente onde eu tinha que descer. De repente o trem começou a andar, peguei minha mochila desesperado e com os tênis na mão, apenas de meia no chão fui em direção a porta do vagão. O trem estava começando a acelerar então pulei para fora com o vagão em movimento. Confesso que foi uma coisa muita perigosa que fiz, mas que bom que deu tudo certo rss.

Calcei meu tênis, lembro que estava com muita sede, a estação estava completamente deserta, mas havia uma barraquinha aberta. Comprei minha água e fui indo para a saída da estação quando se aproximaram dois indianos, perguntando para onde eu iria. Eram 2 garotos motoristas de Tuktuk, oferecendo a corrida para o hotel. Como não havia mais opção aceitei e fomos para hotel que eu já tinha feito reserva pelo Agoda.com quando estava em Agra. Durante o caminho. Um dos garotos estava me perguntando sobre o que eu faria no dia seguinte, quais eram os meus planos. Eu tinha como objetivo em Jaipur explorar Gatore Ki Chhatriyan, Jal Mahal, Albert Hall, Hawa Mahal e o mais importante: O Amber Fort – o maior fort da Índia.

Eu teria em Jaipur 1 dia e meio para aproveitar, então fechei com o garoto 1300 rupias os quase 2 dias para me levar a esses lugares.

Chegamos no hotel no centro de Jaipur em MI Road Area, um área bem calma, peguei minha mochila e me despedi dos 2 garotos, fiz o checkin e fui direto para o quarto, tomei uma ducha, no qual fiquei bastante feliz, pois era o primeiro hotel em que o quarto tinha um banheiro com chuveiro, os outros eram banho na caneca kkkk. Estava bastante cansado ainda mais depois do apuro que passei no trem, finalmente cai na cama e adormeci em questão de segundos.

O alarme do celular tocava as 8:00 da manhã, acordei molhado de suor, tinha esquecido de ligar o ar condicionado quando fui dormi, mas por outro lado estava bem descansado para encarar o dia inteiro explorando. Tomei outra ducha, fui tomar café da manhã e esperar pelo Chappoo, (não sei se é assim que se escreve) era nome de um dos garotos com quem negociei no dia anterior as corridas. Logo após o café, esperei por eles em frente ao hotel. Como combinado Chappoo chegou no horário correto e fomos em direção a nossa primeira parada:

Garote Ki Chhatriyan

Não sei exatamente como descrever esse lugar, mas chamava muito atenção a sua construção, antiga e muito preservada com uma cor rosa parecido com salmão e para minha sorte estava completamente vazio.

Gatore Ki Chhatriyan e a minha tatuagem de henna com o símbolo de Jaipur.

Depois de Gatore, fomos direto para o que eu mais estava esperando: O Amber Fort, e também era o mais distante, no alto da colina de Jaipur. Durante o caminho para o Amber, foi possível perceber uma outra face da Índia. Aquela Índia que conhecemos na TV, com palácios de Marajás, encantadores de serpentes na rua, elefantes caminhando pela via expressa, monumentos históricos e muito mais.

Jaipur é conhecida como a cidade rosa do Rajastão. A cidade foi pintada dessa cor porque na época o Marajá que governava esse lugar ordenou que pintassem a cidade toda de rosa para receber a visita do príncipe Albert de Gales. Uma coisa que me impressionou muito em Jaipur foi que em todo lugar era pintado um símbolo que nós do ocidente conhecemos como a Suástica do Nazismo. Quando me deparei com esse símbolo espalhados por toda a cidade, não me chocou muito, porque na verdade já conhecia a origem da Suástica desde quando tive contato com ela pela primeira vez no norte da Tailândia na fronteira com Myanmar. Então se um dia estiver na Índia e bater de frente com as suásticas por todo lugar, não se espante. Há muitas teorias a respeito da origem da suástica, mas a que mais chega perto é que foi criada na religião budista no ano 700 a.C, pelos chineses se eu não me engano. Hitler apenas convenientemente se apossou desse símbolo Budista dos orientais para justificar as suas  atrocidades que viriam logo depois, o que todos nós já sabemos

Finalmente “Cheguei” no Amber Fort, não completamente porque havia uma escadaria sem fim da rodovia até a portão de entrada do forte .

Depois de subir as escadas ‘infinitas’ embaixo de um sol que castigava sem dó, cheguei na entrada do fort, comprei um bilhete e entrei. Antes de falar sobre o Fort Amber, gostaria de ressaltar uma coisa muito interessante: Tudo na Índia para entrar tem que pagar. Foi assim em Delhi, em Agra, e agora em Jaipur. Existem dois tipos de preços: Para turistas estrangeiros e outro para indianos que é menos da metade do valor em relação ao dos  turistas estrangeiros. Isso é um fato engraçado porque em alguns lugares eu paguei preço de indiano,  foi o caso do Fort Amber. Talvez seja por causa da minha cor de pele e cabelo, por parecer um pouco com o indiano de fato.

… Vamos ao Fort Amber.. Quando entrei lá já havia considerado o fato do fort fazer justiça ao ser conhecido como o maior da Índia, é tudo muito grande, existem passagens para todos os lados, há muros que se estendem até as outras colinas menores se perdendo ao horizonte. Admito que se soubesse poderia reservar um dia sem erro só para conhecer o Fort de Jaipur. O pouco que sei sobre a função dos Fortes na Índia, é que na época que foram construídos, tiveram papel fundamental para proteger as vilas contra invasões de outros povos.

Os indianos gostam muito de pedir para tirar fotos com outros turistas

Aproveitei muito o Fort, mas esqueci de olhar o relógio, já eram quase uma hora da tarde, e para piorar eu estava perdido em um labirinto dentro do fort. Andava e andava por minutos e parava no mesmo lugar. Meu rosto pingava de suor, o calor estava literalmente me sufocando até que por fim encontrei um caminho que me lembrava por onde eu tinha vindo, mas havia um probleminha: aquela saída estava cheia de macacos, que não aparentavam ser muito amistosos e que também não estavam ali quando eu passei anteriormente. Chappoo havia me dito para tomar sérios cuidados com os macacos, pois eles são considerados muito agressivos e que há registros de ataques à turistas naquela região.

O que me restou foi apenas esperar alguns minutos, mas ninguem aparecia, gritei por ajuda, e por fim apareceu um guarda espantando os macacos com o cassetete.

Guarda no final da escada espantando os macacos

Enfim pude descer as escadas

Consegui achar a saída, desci as escadarias do fort e Chappoo estava me esperando no estacionamento do outro lado da rua. Entrei no Tuk tuk estava com fome, não tinha almoçado ainda, então fomos procurando por um restaurante, os lugares para comer que Chappoo sugeria, não estavam me agradando, pois como já tinha mencionado no começo da viagem, tinha uma preocupação enorme de pegar uma intoxicação alimentar, e por fim atrapalhar meu mochilão. Perguntei para Chappoo se existia algum Mcdonalds perto dali, ele informou que havia um no centro da cidade, então decidi ir lá para almoçar. Chegando na entrada do Mcdonalds, me deparei com uma coisa interessante, no vidro estava uma placa grande escrito: Restaurante completamente vegetariano. É engraçado ver isso se tratando do Mcdonalds, mas por outro lado não poderia esquecer que eu estava na Índia né? Lembro que pedi um MC Maharaja com refrigerante e fritas, e para falar a verdade acho que foi o hambúrguer mais gostoso do Mcdolnalds que já comi, o recheio parecia frango, mas não era frango, um pouco apimentado, nossa como aquilo estava delicioso.

Depois de Almoçar me encontrei com o Chappoo e fomos para o Jal Mahal – O Palácio das Águas. Infelizmente é um lugar que apenas seria possível apreciar de longe, pois se trata de um monumento privado, mas mesmo assim valeu a vista.

Jal Mahal – Vista do outro lado do rio

Estava começando a entardecer e Chappoo sugeriu que fôssemos a um lugar para finalizar o dia e que no dia seguinte terminaríamos o passeio por Jaipur. Gostei da ideia, ele me levou até uma fundação onde cuidam de elefantes. Não se tratava de atração com animais, mas sim uma fundação responsável por criar, cuidar, e resgatar elefantes. Aprendi muito a respeito dos elefantes, (sabiam que um elefante leva 2 anos para dar a luz a um filhote??kk)Foi um final de tarde incrível, não acreditei muito no início que era uma organização não lucrativa, mas não me cobraram nenhum dinheiro, como era uma fundação, doei por vontade própria 200 rúpias para contribuir.

Final de tarde com os elefantes em Jaipur

Fomos para o hotel, eu estava podre de cansado, o calor junto ao sol drenaram completamente minhas energias naquele dia. Chegando ao hotel me despedi de Chappoo e fui para o restaurante do mesmo pedir uma bebida, como sempre não tinha cerveja, e nenhuma outra bebida gelada, os indianos vendem bebidas na temperatura natural eu não sei se deve ao fato da eletricidade do país ser de péssima qualidade, no qual é incapaz de fazer com que as geladeiras e freezers consigam gelar alguma coisa. No que eu percebi na Índia, por dia acontece inumeros apagões de energia em todas as cidades. Enfim pedi uma água mesmo (natural aff) no restaurante e perguntei se o hotel tinha um roof para eu poder aproveitar o fim de tarde. O hotel tinha uma varanda muito grande no terceiro andar. Fui para lá com a água e minha mochila e simplesmente curti o ambiente. Uma coisa muito legal que acontece na Índia é que não importa o céu cinza da poluição se estiver nas grandes cidades, ou outro fator externo, o por do sol sempre vai ser incrível, vai entender o que eu estou dizendo realmente quem já esteve lá.

Aproveitando o por do sol na varanda do hotel.

O sol se foi e já era noite em Jaipur, fui para o quarto tomar uma ducha bem gelada e sai para jantar alguma coisa, na verdade apenas um lanche leve, e voltei para o hotel e fui me preparar para dormi, pois iria acordar cedo no dia seguinte.

O despertador como de costume tocou às 8:00am e fui tomar aquela ducha para acordar completamente o corpo e mente. Tomei café da manhã e fui esperar por Chappoo no mesmo local do dia anterior. Ele chegou como combinado e fomos para o Albert Hall – Museu muito famoso em Jaipur, possui obras de artes internacionais, esculturas históricas, instrumentos de guerras.. vale a visita. Após o museu fomos para o Hawa Mahal: Um lindo palácio que parece um favo de mel com suas janelas simétricas, infelizmente não pude fazer a visita, porque estava tendo um desfile no dia e fecharam a rua que passa em frente ao Palácio dos Ventos assim é chamado o Hawa Mahal.

Jawa Mahal visto do Tuk Tuk

Cheguei ao Hotel no fim da tarde, acertei os valores com Chappoo e me despedi dele agradecendo muito pela experiência. Meu trem partiria às 23:00 daquele mesmo dia para a próxima cidade que seria Udaipur. O relógio já apontava 19:00, arrumei minha coisas no quarto e sai para dar uma volta aos arredores do hotel para passar o tempo. No caminho um rapaz me abordou estranhando que eu não era dali perguntando de onde eu era, ele ficou muito alegre quando falei que era do Brasil, e me convidou para tomar um Chai. Eu fiquei pensando, que aquilo não seria uma boa ideia, mas o homem estava sendo tão cordial e insistente ao mesmo tempo que aceitei o convite. Logo vi que estávamos entrando em uma joalheria que pelo o que tinha entendido era da família dele. Fiquei pensando (porra entrei numa fria!”), Ele pediu para eu sentar na cadeira e um outro senhor começou a trazer um monte de joias me mostrando que era isso era aquilo e bla bla bla.. O outro  rapaz trouxe o chai e os dois começaram a tentar me vender as joias de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Eu claro comecei a falar que eu não tinha a intenção de comprar nada e que só estava passeando e tal… O rapaz e o velho começaram a ficar agressivos insistindo para eu comprar alguma coisa. Eu Continuava a dizer não quando de repente o velho bateu a mão na mesa e me expulsou da loja, apesar de ser aquilo que eu queria, de qualquer modo fiquei perplexo, peguei minha mochila e falei para os dois “This is not Business”  e fui embora. Na Índia as pessoas tentam te tirar dinheiro de todas as maneiras, como aconteceu diversas vezes em Delhi, lembro que estava no portão da Índia e uma senhora colocou um broche na minha camisa sem minha permissão e começou a pedir “donation! Donation” Donation!” Disse a ela que não queria e então ela arrancou o broche quase rasgando minha camiseta.  Pois é, é preciso ter muito cuidado. Voltei para o hotel em passos largos, pois o já eram quase 21:30, peguei minhas coisas no quarto, finalizei o checkout e peguei um Tuk Tuk rumo a estação de Jaipur.

Cheguei na estação, consultei o app do celular para saber a plataforma e vagão do trem onde eu ia entrar e apenas aguardei o trem chegar. O trem para a minha surpresa chegou no horário previsto, entrei na composição e localizei minha cama na lateral e ali me organizei. A chegada em Udaipur estava prevista para  às 06:40 am, ou seja essa seria a minha viagem de trem mais longa pela Índia, aproximadamente 8 horas de duração em direção a Udaipur: A cidade dos Lagos.

 

UDAIPUR

Depois de uma noite de sono, quero dizer, de  viagem no vagão indiano, pela janela do trem conseguia enxergar o sol nascendo, o relógio marcava um pouco mais de 6:00am, Udaipur já se aproximava do meu roteiro. O trem chegou na Estação de Udaipur (UDZ) em ponto para a minha grande surpresa. A partir daquele momento começaria a parte mais difícil da minha aventura pela Índia,  pois eu deixaria Udaipur naquele mesmo dia, rumo ao deserto do Thar, em Jaisalmer cidade fronteiriça com o Paquistão. O grande problema era que entre Jaisalmer e Udaipur não existe um caminho para percorrer de trem, apenas por estrada, mas esse era o meu grande medo. As estradas na Índia são bastante precárias com inúmeros registros de acidentes. Em todos os lugares que pesquisei na internet e que li em livros aconselharam fortemente a nunca pegar estrada na Índia. Bom, pelo visto eu não tinha escolha. Peguei um Tuktuk assim que sai da estação de trem e fui procurar uma empresa de ônibus que fazia o percurso Udaipur-Jaisalmer. Comprei o Bilhete de ônibus por 700 Rúpias, pela empresa Kalpana Travels, que aliás possui infinitas reclamações pelo trip Advisor, e isso aumentava mais ainda minha angústia.

Como meu ônibus partiria só a noite, e ainda era de manhã naquele mesmo dia, aproveitei o meu tempo andando com meu mochilão pelas ruas de Udaipur. Como disse antes, Udaipur é a cidade dos Lagos, apesar de ficar no quente estado do Rajastão, até que é uma cidade fresca, devido a presença de lagos em volta da cidade. Udaipur ao contrário de outras cidades da Índia, é muito calma e tranquila, não há aquele caos que presenciei nas outras cidades até então, por isso é conhecida também como a Veneza da Ásia.

Udaipur vista do terraço de um prédio

A cidade dos lagos tem alguns atrativos para visitar, mas dizem que a atração mais incrível de Udaipur é observar o sol se pondo de algum terraço da cidade. Como não tinha muito tempo, almoçei em um restaurante e fui descansar nas escadarias que terminavam no lago da cidade.

Margens do Lago de Udaipur (ambiente “fresquinho” apesar do sol)

Descansando nas escadarias, sentado eu e minha mochila, pude observar a rotina dos moradores. Haviam mulheres lavando roupas, crianças se divertindo na água, homens pescando, e alguns ali tomando banho com shampoo e tudo! Foi um pós almoço interessante.

O sol começava a dar sinais de que iria descer, então fui procurar um lugar para curtir aquele momento que estava por vir. Encontrei uma espécie de Hostel em um prédio bem alto, no terraço tinha cadeiras e poltronas para ver o por do sol, logo me acomodei e curti o momento.

Pôr-do-sol de Udaipur (como já dito nessa experiência, o pôr-do-sol na Índia é uma atração a parte)

Finalmente o sol foi embora de Udaipur, e eu também tinha que fazer o mesmo. Fui de Tuktuk até o ponto de partida do ônibus e aguardei. Quando entrei no ônibus, fiquei espantado como era por dentro, existia umas espécies de camas dentro de cabines que pareciam tumbas, e para piorar a situação a minha era a última do corredor na parte de baixo. Estava muito cansado e não tomava banho há um dia, deitei no meu lugar do ônibus e dormi ligeiramente.

A distância entre Udaipur e Jailsalmer era de 520km, que significava quase 10 horas de viagem. Inicialmente o ônibus partiu praticamente vazio, mas a cada parada entrava mais passageiro. Mesmo estando muito cansado, acordava a todo momento, pois o minha cabine balançava demais, minha impressão era que o veículo não tinha amortecedor de tão duro que era e enquanto isso não parava de entrar mais gente. Sem notar voltei a dormir novamente, quando de repente um homem sentou em cima das minhas pernas. Acordei devido ao susto e como reação de defesa acabei dando um chute nas costas do senhor que sentou nas minhas pernas. Pronto! Isso bastou para começar a confusão, o ônibus estava lotado, tinha gente em pé, no chão, na janela, pendurado nas portinhas das cabines-camas e etc. estava todo mundo discutindo pela falta de espaço, não sei se falavam hindu, ou bengali, ou árabe, só sei que não entendia nada. Um dos motoristas veio até o final do ônibus e disse bem bravo uma coisa que eu não sei o que significava, mas que todos se calaram na mesma hora.

Olhando pela janela do ônibus, o dia começava a clarear e aos poucos as pessoas desciam nas paradas que o próprio onibus realizava. Finalmente chegou a minha hora de descer, peguei minha mochila e dei o pé. Na parada estava quem eu realmente esperava…

 

JAISALMER

Antes de continuar, preciso dizer algumas coisas que não foram mencionadas durante o relato. Antes de viajar para a Índia, contatei um maluco através de uma recomendação de uma amiga que teve uma experiência incrível no deserto do Thar. Esse maluco se chama Abu, (tenho a impressão que todas as pessoas se chamam Abu na índia kk) que tem um hostel em Jaisalmer e que leva as pessoas para passarem uma noite no deserto. A empresa é Abu Safari, para quem quiser a experiência, só digo uma coisa: Os caras são bons viu. Contatei Abu via Facebook e combinei com ele de me buscar no ponto de descida em Jaisalmer. Desci do ônibus e ali estava o próprio, de Harley Davidson,  com um papo de “Life is mama mia”,  apenas aguardando minha chegada.

Sem saber, começava então a parte mais incrível da minha viagem, bem merecido depois de aguentar o perrenge de se chegar até aqui. De moto fomos até o hostel. Jaisalmer é praticamente uma cidade muçulmana, foi bem divertido andar de moto e ao mesmo tempo observar a cidade e os moradores. Se Jaipur é a cidade rosa,  se Udaipur é a cidade dos Lagos, logo Jaisalmer é a cidade Dourada do Rajastão.

Por fim chegamos ao Hostel, e obviamente queria passar a noite no deserto daquele mesmo dia, porque tinha que deixar Jaisalmer no dia seguinte. Negociei com Abu os valores: 1500 Rúpias pela noite no deserto, mais estadia e conforto no hostel, foi um preço bem justo considerando tudo. Estava morrendo de fome, o calor estava de matar, a temperatura beirava os 49ºC. Acomodei minhas coisas em um dos beliches do hostel e fui almoçar no restaurante do terraço.

Beliche do Hostel: Ambiente bem islâmico mesmo, e o pior é que não haviam ar condicionados, apenas ventiladores de teto que só servem para espalhar o ar quente do quarto.

Chegando no restaurante no último andar, sentei em uma mesa. Ao meu lado tinha 2 britânicos conversando que logo me chamaram para se juntar à eles. Durante a conversa, de cara percebi que havia uma cerveja na mesa, e um rapaz do hostel perguntou o que eu iria pedir. Então respondi fazendo uma outra pergunta: – Vocês têm cerveja aqui?? E gelada?? O rapaz indiano respondeu que sim e me trouxe uma inacreditável Kingsfisher bem gelada. Pensei comigo: -“Não encontrei nenhuma bebida gelada até então e ainda mais cerveja, mas achei aqui no deserto, bom, se eu contar essa história ninguém vai acreditar”. Pois foi o que aconteceu. Aproveitei minha cerveja e almocei um Fried Rice que estava bem gostoso por sinal.

Almoço no terraço do hostel: Almoçando com essa linda vista. Alías foi a mesma vista em que Bruce Wayne teve quando conseguiu sair do buraco que Bayne o colocou para morrer em Batman cavaleiro das trevas Ressurge.

O jeep para o deserto sairia do hostel as 3 da tarde, então eu teria aproximadamente 2 horas para tentar recuperar a noite mal dormida no ônibus da “morte” kk. Ajustei o alarme do relógio e fui dormir em um dos beliches do hostel aonde estavam minhas coisas.

Com o despertar do relógio acordei às 14:40pm, me preparei, tomei uma ducha refrescante, e desci as escadas até a porta de entrada do Hostel. Ali estavam os 2 britânicos John e Peter e o pessoal do Hostel que estavam preparando o Jeep para a jornada no deserto. O motorista pediu para que entrassemos no veículo e quando as portas se fecharam ele começou a forrar todos os vidros do Jeep de jornal inclusive até o para brisa apenas deixando um pequeno buraco para o motorista enxergar a direção. O sol daquela região junto com a alta temperatura (49ºc) quando age diretamente na pele, queima em questão de segundos, talvez por isso consigo entender um pouco a vestimenta dos muçulmanos, em usar bastante pano para se proteger dos raios do sol além da religião é claro.

Com todos acomodados, o Jeep partiu de Jailsalmer rumo ao puro deserto do Thar, fronteira natural que divide os inimigos históricos Índia – Paquistão. Pelo caminho a medida que estávamos nos distanciando da cidade, o medo do desconhecido começava a querer tomar um pouco conta de mim, Paquistão, Paquistão, um lugar hostil, problemas com conflitos, com terrorismo que vemos todos os dias na TV, Internet, livros, revistas e etc. Após 1 hora e meia de viagem paramos em uma cidade “fantasma” chamada Kolkata, descemos do carro e o motorista disse que poderíamos dar uma volta, a pé mesmo, para explorar a ruínas do lugar. Era aproximadamente umas 16:20, apesar do horário, o sol estava machucando muito, a cidade “fantasma” me impressionou bastante, tudo abandonado, um sentimento de vazio, era como se eu estivesse naquele filme chamado o “O Grande Herói”.

Ruínas de Kolkata – Fronteira com Paquistão
Um completo vazio e silencio, percebe-se a ausência até de animais, como pássaros.

Entramos no jeep e seguimos viagem por mais 1 hora e meia. Durante o percurso acidentalmente comecei a dormir, já que dentro do veículo era um tédio pois não era possível ver nada pela janela já que tudo estava tampado com jornal. De repente acordei com o barulho do jornal se batendo no vidro com o vento forte, sendo causado pela velocidade do carro, e rapidamente, todo aquele jornal preso ia se soltando. Foi naquele exato momento em que avistamos as primeiras dunas do deserto.

Depois de 2 horas que saímos de Kolkata, o Jeep parou no meio do nada, o motorista falou que era para descermos do carro ali mesmo. O vento estava forte, era possível ver até aquelas bolas de capim seco atravessando a estrada. Na beira da pista, dois andarilhos estavam esperando por nós com seus camelos. Foi uma cena que nunca vou me esquecer.

Subimos nos camelos e fomos em direção as dunas do deserto do Thar, foi uma jornada de camelo um pouco longa, quase 1 hora e meia, até subir nas primeiras dunas.

Deserto do Thar – Finalmente chegamos

Descemos dos camelos, que foram descansar em lugar improvisado ali pertinho. Gostaria de ressaltar que os camelos foram muito bem tratados, ao contrário do que eu pensava. Pelo que li a respeito, eu não tenho certeza se é assim em toda cultura árabe, mas naquela região de Jaisalmer, possuir camelos saudáveis significa um sinal de riqueza, e pude perceber isso no tratamento que os próprios camelos recebiam de seus donos.

Quando chegamos nas dunas do deserto do Thar, o sol estava se pondo,  foi incrível, parecia que a natureza havia combinado tudo aquilo propositalmente, talvez tenha sido o pôr-do-sol mais foda que já em vi em toda minha vida.

“Um dia Simba, tudo aquilo que o sol toca, será seu!” 🤣🤣
Passar a noite no deserto sem dúvida foi umas das coisas mais incríveis que já fiz. Em camas improvisadas foi possível ver as estrelas até do horizonte do céu mais estrelado que já vi. Aguentar os 44°-49º de dia e os 8° de noite não é uma tarefa das mais fáceis. Mas tudo isso acaba sendo esquecido quando no meio da noite você acorda com uma luz forte e quando olha para checar, é apenas noite de lua cheia.

O sol se foi por completo e deu lugar as estrelas, preparamos as camas, e fizemos uma fogueira. Os indianos estavam cozinhando uma comida típica da região enquanto conversávamos. Como disse no parágrafo acima, nunca tinha visto antes um céu tão estrelado, que não era necessário nenhum tipo de luz artificial como lanterna ou display do celular, porque conseguíamos ver tudo, isso realmente foi inacreditável! Totalmente distante da civilização, uma coisa que não posso deixar de falar é que existia sinal 3G no smartphone, difícil de acreditar né? 3G no deserto quem diria.

Com cerveja gelada e um jantar gostosíssimo, foi assim a noite no deserto, sem dúvida a experiência mais louca que fiz na minha vida. Nunca imaginaria anos antes dormir no deserto sob a luz das estrelas na fronteira entre Índia e Paquistão.

Depois do jantar um dos indianos começou a trazer cobertores bem grossos, então logo pensei: – “O que esse maluco está fazendo com isso? Em um calor desse?”. Ele entregou um para cada, mesmo dizendo que não precisava ele me entregou mesmo assim. Bom, peguei o cobertor e forrei como se fosse lençol, e deitei por cima. Deitado observando aquele céu completamente estrelado ao som nos fones de ouvido Dirty Paws – Of monsters and man e aos poucos comecei a dormir.

A noite foi passando e já era madrugada, acordei morrendo de frio, peguei meu celular e vi que a temperatura batia os 8ºC, naquele momento entendi o porquê do cobertor grosso, e para piorar a situação eu estava completamente revestido de areia como se fosse um empanado pelas rajadas de vento com que sofri enquanto estava dormindo. Peguei o cobertor e rapidamente me cobri da cabeça aos pés e voltei a dormir. Minutos depois acordei e percebi uma luz muito forte, parecia como uma luz de carro, logo comecei a imaginar o pior: – “Os Paquistaneses vão nos capturar! Estou morto! Felizmente para o meu equívoco era apenas noite de lua cheia. Nunca pensei que a natureza fosse capaz de produzir uma luz tão forte quanto a luz do dia. A partir daquele momento valeu cada esforço que fiz para se chegar ao deserto, realmente valeu a pena.

Acordamos aos gritos de que o café da manhã estava pronto, mais uma vez tudo estava tão gostoso feito na fogueira. Os indianos falaram que tínhamos que nos apressar e chegar a Jaisalmer antes das 10:00, porque depois disso seria perigoso a exposição do sol.

Nascer-do-sol no deserto: tomando café ou melhor, Chai com essa linda vista.
Café da manhã no deserto

Nos apressamos, subimos nos camelos e fomos em direção a algum lugar no horizonte. O relógio marcava umas 8:30 da manhã e o sol começava a dar seus primeiros sinais de castigo. Foi uma volta sofrida até chegar ao jeep novamente que estava esperando por nós na auto estrada.

Enfim chegamos ao ponto de reencontro com o jeep para voltarmos a Jaisalmer, lembrando que eu tinha um trem para deixar a cidade no mesmo dia às 15h como próximo destino: Jodhpur – A cidade azul do Rajastão.

Minha consideração final sobre a aventura no deserto bem é simples: Se tiver a oportunidade de conhecer a Índia, não deixe Jaisalmer de fora da sua rota, talvez será sua principal atração como para mim foi.

Cheguei até o Hostel as 14h, tive tempo apenas de tomar uma ducha, me despedir de Jonh e Peter e de pegar todas as minhas coisas que não tinha levado para o deserto. Abu gentilmente me levou na sua Harley Davidson até a estação da cidade. Agradeci bastante a ele pela experiência e o mesmo me pediu para transformar meu agradecimento em palavras pelo TripAdvisor.

Cheguei em ponto de partida do trem para Johdpur, subi no vagão, localizei minha cama e minhas coisas organizei. Chegaria em Jhodhpur na madrugada do dia seguinte, logo então seria uma viagem de mais ou menos de 7 horas e meia até a Cidade Azul, assim é chamado Jodhpur.

 

JODHPUR

Apesar de ter sido uma longa viagem de trem, por outro lado foi bem tranquilo, o vagão não estava muito cheio. Chegamos a Jodhpur – A cidade Azul do Rajastão às 2 horas da madrugada. Subi em um tuk tuk com mais outro gringo para chegar ao hotel onde tinha reservado pelo Agoda.com. No caminho para o hotel o motorista expressava não saber para onde ir, teve uma hora que ele desceu do tuktuk para perguntar e esqueceu de acionar o freio de mão e o veículo começou a descer a rua, quando consegui com os pés frear,  foi um cena um pouco cômica para não dizer outra coisa. Sem paciência, peguei meu celular e coloquei no google maps, e fui guiando o tuktuk até o hotel.

Finalmente chegamos, Ufa! Precisava logo dormir, pois teria pouco tempo para conhecer Jodhpur, já que eu pegaria um Avião as 14hrs da tarde naquele mesmo dia. Na cidade Azul do Rajastão, as duas grandes atrações sem dúvida são o Forte da cidade e as casinhas azuis. Infelizmente não teria tempo para andar pela cidade azul, então meu plano era pegar um tuktuk direto para o fort no qual ficava no alto da colina sobre a cidade. Dormi poucas horas e fui tomar café da manhã. Durante o café perguntei para um indiano do Hotel que na verdade parecia mais um hostel qual será a senha do wifi, e ele me respondeu algo em hindu sei lá, como não entendi absolutamente nada, entreguei meu celular para ele digitar a senha e logo me disse que era para digitar eu mesmo, dizendo que a tal senha era 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1. (Nossa porque ele não disse isso antes?) O indianos adoram complicar as coisas rss.

Depois da senha perguntei para o mesmo indiano do wifi se o forte Ficava perto dali, então ele me disse que ao subir as escadas para o terraço do hostel responderia a minha tal pergunta. Terminei de tomar o café e subir as escadas, ao chegar no roof do prédio dei de cara com isso:

Vista do terraço do Hostel

Apesar da curta distância, precisei chamar um tuktuk para subir até o Fort, porque como já dito, não tinha tempo suficiente. Já dentro do fort, visitei o museu, mas o mais incrível de lá de longe é a vista, foi possível ver a linha do horizonte e o melhor: As casinhas azuis de Jodhpur.

O Brahmanis pintavam as cores de azul para dar aquela sensação refrescante já que a cidade de Jodhpur fica em uma região bastante quente.

O meu tempo estava muito curto, deixei o forte, e o mesmo tuktuk que havia me trago, me levou de volta, perguntei a ele se esperaria por mim no hostel para eu fazer o checkout e seguir para o aeroporto, e ele aceitou e acrescentou claro mais 200 rúpias na corrida.

Cheguei no quarto, reuni todas as minhas coisas, enfie tudo na mochila, tomei aquele famoso banho de “Gato” com o intuito apenas de refrescar, fiz o checkout e peguei o mesmo tuktuk no qual estava me esperando para o aeroporto.

Chegando ao Aeroporto lembrei de uma coisa que tinha mencionado no começo desse relato. Para entrar é preciso apresentar o cartão de embarque logo na porta de acesso e também é obrigatório passar pelo Raio-X e bagagens também. Para ir até o Balcão de Check in, passamos pelo mesmo procedimento da entrada, nessa etapa mandaram eu retirar todas as coisas da minha mochila, até encontrar uma coisa que eles estavam suspeitando que era apenas um mouse de computador. Em todos os aeroportos da índia é assim: muita Burocracia e segurança, é até passível de compreensão pelos vizinhos que o país tem Enfim coloquei tudo de volta na mochila e fui para o Check in. Como eu estava apenas com uma mochila, não precisei despachar para assim não correr o risco de ter uma mala extraviada e isso se tornar um baita dor de cabeça. Segui para o lounge de embarque e adivinhem: passei por mais um procedimento padrão de segurança.

A companhia aérea que escolhi foi a Jet Airways, se eu não me engano pertencente empresa Árabe Etihad airways do Catar. A Índia possui algumas companhias aéreas como a Air India, IndiGo, Spicejet, e a Low Cost Goair, mas todas essas têm muitos históricos de atrasos, cancelamentos, extravio de bagagem e etc. Escolhi a Jet Airways depois muita pesquisa para minimizar os riscos. O preço foi exatamente 4,797 Rúpias, destino final Amritsar – Cidade ao Norte ponto de entrada para quem quer subir rumo aos Himalaias.

O meu voo faria escala em Deli, e está ai uma informação muito importante, qualquer destino que queira ir na Índia de Avião, não importa qual companhia escolher, O voo sempre terá escala em Deli, quando pesquisei, não haviam voos diretos entre um destino e outro. Sempre tem Conexão em Deli.

Após a chamada para o voo entrei na fila, e me lembrei do pior jeito que o povo indiano não tem muita educação, é um empurra-empurra danado, ninguém respeita espaço de ninguém, a única maneira é jogar o jogo.

Finalmente o Avião partiu, Nova Déli estava a 1 hora e meia de distância, olha eu lá de novo…. O voo de Jodhpur – Deli talvez tenha sido mais tenso que já passei na vida, o avião balançava muito, foi uma turbulência insuportável, mas tudo deu certo.

Como eu Cheguei à Índia no primeiro dia, era noite, dessa vez estava de dia, e pude ver Deli toda da janela do avião. É inacreditável a poluição da cidade vista de cima, não dá para saber se é poeira, ou se é fumaça, ou outra coisa.

Saindo do Avião no Aeroporto de Nova Délhi, um dos mais movimentados do mundo.

 

AMRITSAR

Minha conexão era de 2 horas, então andei pelo aeroporto mesmo afim de gastar o tempo. Havia esquecido de mencionar como o aeroporto de Deli é gigantesco, o piso é todo no carpete referenciando claro a região Hindu. Acho que o único aeroporto que já fui que é maior pelo que eu lembro é o de Cingapura. Enfim aguardei peguei o outro avião que felizmente a viagem foi bem mais tranquila que a anterior e cheguei a cidade sagrada dos Sikhs – no Estado do Punjab.

Sem saber o que me esperava, Amritsar seria bem mais inesquecível do que foi Agra. Amristsar possui uma das principais maravilhas da Índia: O Templo Dourado. Pensando nisso, quando estava em Jaisalmer tinha aproveitado para fazer reserva em um hotel bem próximo ao templo pelo Agoda.com.

Saindo do Aeroporto de Amritsar, peguei um Táxi direto para o hotel. Pelo caminho observei pela janela do carro e conclui que Amritsar em nível de caos no trânsito e sujeira chega bem perto de Agra, a cidade do Taj Mahal. Pelo meu google maps, estava 2 minutos de carro do hotel, mas o trânsito estava terrível, não saíamos do lugar. Decidi pagar o motorista e sai da carro e continuar a pé, felizmente eu tinha internet no Smartphone se não iria ser mais difícil localizar o hotel andando sozinho. Após um 6 minutos caminhando em uma das ruas estreitas da cidade no meio dos homens Sikhs de turbante, de surpresa dei de cara com o muro do Golden Temple – O templo Dourado Sagrado dos Sikhs. E mais na frente o meu hotel. Minha vontade era de já entrar para ver o templo, mas como já estava tarde deixei isso com muita ansiedade para o dia seguinte. Cheguei no Hotel, fiz o Check in e fui para o quarto, dormi como uma criança, mas sem parar de pensar no Templo.

Acordei Bem cedo, tomei café e fui direto ao templo. Para entrar no Golden Temple é preciso esconder os cabelos tanto para homens quanto para mulheres, e deixar os calçados nos lockers que ficam nas entradas, usar calças e blusas longas. Me lembro da primeira vez que vi o Templo foi indescritível.

Golden Temple onde são servidas as refeições, o único problema era a fila enorme

 

O Templo Dourado em Amritsar me impressionou muito, até mais que o próprio Taj Mahal. Meca está para os muçulmanos assim como o Golden Temple está para os Sikhs, um lugar inteiramente feito de mármore e no meio como uma ilha está o Templo construído em ouro. Visitas são sempre permitidas desde que esconda os cabelos (tanto para homens como mulheres). São servidas refeições, há lockers espalhados em todas as entradas para guardar os calçados, e você não precisa pagar por nada, incrível não?

Amritsar era minha última parada na Índia é claro desconsiderando Deli no qual eu tinha que voltar para pegar meu avião para Europa. Passei 2 dias e meio aproveitando e relaxando no Golden Temple, almoçando a refeição que era servida gratuitamente no interior do templo. Observando o Pôr do Sol. Usei esse tempo todo em Amritsar para refletir em muitas coisas e também praticar um pouco de meditação e esvaziando a mente como na imagem acima, foi incrível. Tirando o deserto do Thar, Amritsar na minha opinião foi o lugar mais top que fui na Índia, e antes pensava que fosse Agra a principal atração antes de vir para esse país bem louco.

Depois de Amritsar, de avião voltei para Delhi, verifiquei meus bilhetes e percebi que tinha uma boa e má notícia: A notícia boa era que eu iria voltar no A320 de dois andares da Luftansa (Boeing muito confortável), mas a má notícia era que eu tinha apenas uma hora de conexão em Berlim com destino final novamente na Suíça, isso significava certamente que eu iria perder o meu vôo de conexão, por mais que eu chegue no horário, teria que ainda passar pelo controle de imigração Alemão.

Dito e feito, perdi o vôo de conexão para Zurique, mas rapidamente dei um jeito e consegui um outro cartão de embarque no balcão da Luftansa, explicando que tinha perdido por causa do controle de segurança e tal..

Por consequência do vôo perdido, fiquei mais duas horas no aeroporto de Berlim, o que me restou foi apenas aguardar.

Cheguei em Kloten – Zurique na Suíça, e quem estava me esperando?? O meu grande amigo Kurt. Conversamos muito sobre minha viagem durante o caminho para a casa, me sentia muito feliz e realizado por tudo ter dado certo.

Apesar de estar cansado a primeira coisa que fiz ao chegar na casa de Kurt foi fazer um churrasco de emergência kkkk, fazia dias que não sentia nem o cheiro de carne hehehe.

Antes de voltar para o Brasil, tinha ainda uns 3 dias para aproveitar a viagem que felizmente ainda não tinha acabado. Então decidimos Comprar uma passagem para Munique de ônibus através da empresa Flixbus, é muito vantajoso, por apenas 20 Euros, fomos de Zurique até a terra da Oktorbefest e o ônibus ainda passava pela Austria antes de chegar lá.

Em Munique fomos para a HofbräuHaus, aquele lugar famoso onde se tomam aqueles copos gigantescos de cerveja, e ali mesmo comemoramos o final da minha viagem.

Tomando Cerveja no HofBräuHaus, estava tendo jogo entre Bayern e Borussia no dia pela Copa da Alemanha

Voltamos para a Suíça. No dia seguinte ao acordar abri a janela do quarto e para a maior felicidade, estava nevando, certamente isso foi um grande presente de Deus para encerrar com chave de Ouro essa Incrível Trip. Não perdi um segundo sequer e corri lá para fora, curtir um pouco de neve.

A temperatura batia -12º, estava congelante, mas gosto muito de tempo assim.

No dia seguinte me despedi de meus amigos e de Kurt, agradeci muito e fui embarcar para o Brasil.

Uma coisa importante sobre essa viagem que gostaria de falar, é que foi uma experiência fascinante, foi possível na mesma viagem estar em dois extremos: Deserto e Neve. O que eu poderia falar sobre a índia é que vale a pena muito conhecer, sinceramente não é um país fácil para viajar, é muito perrengue, mas não deixa de ser incrível. Após conhecer um pouco da Índia você pode amar ou odiar esse país, eu para falar a verdade não tenho uma conclusão. A Índia possui lugares Fascinantes de tirar o fôlego, mas para alcançar esses lugares, temos que passar obrigatoriamente pelo Submundo Indiano.

A Índia é um país muito grande, infelizmente não pude conhecer Varanasi, Caxemira, ou as praias de Goa por exemplo, mas na próxima quem sabe…:)

 

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